A ASEAC parabeniza sua associada Karina de Moura Costa Alencar, Assistente Especial da Presidência da CEDAE, pela premiação da pesquisa “Modelagem Integrativa para Viabilidade do Reúso de Água”, desenvolvida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e apresentada no Torneira Lab Universidades, iniciativa do Grupo Águas do Brasil, cuja primeira edição foi encerrada em 7 de outubro de 2026.
O trabalho foi premiado com troféu e reconhecido pela banca avaliadora entre as melhores pesquisas de inovação em saneamento do Rio de Janeiro. O programa busca aproximar a produção acadêmica dos desafios reais do setor de saneamento, incentivando o desenvolvimento de pesquisas e soluções inovadoras com potencial de aplicação prática.
Da tecnologia disponível à viabilidade do negócio
A pesquisa desenvolvida por Karina parte de uma questão estratégica para as companhias de saneamento: uma vez disponível e tecnicamente aprovado um modelo de produção de água de reúso, como identificar se ele pode se tornar um negócio economicamente viável e em quais condições?
O estudo não propõe um novo produto nem uma nova tecnologia de tratamento. A pesquisa utilizou como referência um modelo produtivo de água de reúso já utilizado e tecnicamente aprovado pela CEDAE. A inovação está no desenvolvimento de uma modelagem integrada de apoio à decisão, capaz de avaliar em quais condições uma solução de reúso tecnicamente disponível pode se transformar em um negócio viável.
A modelagem conecta oferta, capacidade produtiva, custos, demanda, tarifa e distância de atendimento, integrando variáveis técnicas, operacionais, econômicas e de mercado em uma única estrutura de análise.
Na prática, a ferramenta permite responder a questões essenciais para as companhias de saneamento: há capacidade para atender determinada demanda? Qual volume pode ser comercializado? Qual tarifa viabiliza o fornecimento? Até que distância o atendimento permanece economicamente viável? E, diante dessas condições, a oportunidade comercial apresenta viabilidade?
Uma vez parametrizada, a modelagem permite a inserção e atualização dos dados correspondentes à realidade analisada, calculando tarifas de referência e gerando cenários e indicadores de viabilidade para subsidiar a avaliação de oportunidades comerciais e a tomada de decisão.
Embora a pesquisa tenha utilizado como referência o modelo produtivo adotado pela CEDAE, a modelagem integrada pode ser aplicada por outras companhias de saneamento aos seus próprios modelos de produção de água de reúso, mediante a parametrização de suas condições operacionais, estrutura de custos, capacidade produtiva, demanda e características de mercado.
Dessa forma, cada companhia pode aplicar a estrutura metodológica ao seu próprio sistema de reúso, sem a necessidade de reproduzir o modelo produtivo utilizado na pesquisa.
O modelo produtivo estabelece como a água de reúso é produzida; a modelagem integrada permite avaliar se, onde e em quais condições essa produção pode se transformar em um negócio economicamente viável.
Resultados e potencial de aplicação
Para uma demanda de 15.840 m³/mês, foram identificadas três condições de mercado:
• Rio de Janeiro: raio economicamente viável de até 30 km;
• São Paulo, Pernambuco e Ceará: raio economicamente viável de até 20 km;
• Minas Gerais e Espírito Santo: raio economicamente viável de até 10 km.
Os resultados evidenciam o principal diferencial da pesquisa: a inovação não está no produto água de reúso em si, mas na modelagem que transforma dados em inteligência para a decisão, permitindo identificar onde, em quais condições, a que tarifa e para qual mercado uma solução de reúso pode se tornar economicamente viável.
A metodologia apresenta potencial de aplicação tanto na avaliação de oportunidades comerciais quanto no planejamento da expansão do reúso, permitindo comparar diferentes condições de mercado e apoiar a estruturação de projetos economicamente sustentáveis.
Para uma companhia que já produz água de reúso, a modelagem pode apoiar a análise de onde ampliar o negócio, quais oportunidades priorizar e em quais condições atender novos clientes. Para companhias que avaliam a implantação do reúso, pode contribuir para estruturar previamente a análise de viabilidade do negócio.
Reúso potável e segurança hídrica na FENASAN 2026
Além da premiação no Torneira Lab Universidades, Karina participou da FENASAN 2026, em 22 de outubro, representando a CEDAE pela Diretoria da Presidência, no painel “Reúso potável no Brasil: realidade ou utopia?”.
Na ocasião, apresentou uma reflexão sobre os desafios da segurança hídrica no Brasil, destacando três situações relacionadas à disponibilidade de recursos hídricos: o Sistema Jaguaribe–Metropolitano, no Ceará; a Região Metropolitana de São Paulo, com referência às pesquisas sobre reúso potável desenvolvidas pela Escola Politécnica da USP em parceria com a Sabesp; e o Sistema Imunana–Laranjal, no Rio de Janeiro, operado pela CEDAE.
A apresentação destacou que o reúso potável deve ser compreendido como uma alternativa tecnológica a ser avaliada de acordo com as necessidades e características de cada território, considerando fatores como proteção dos mananciais, diversificação das fontes de abastecimento, segurança sanitária, evolução regulatória e viabilidade econômico-financeira.
Embora abordem dimensões distintas do reúso de água, a pesquisa premiada e a participação na FENASAN reforçam a importância da aproximação entre pesquisa científica, operação dos sistemas de saneamento e tomada de decisão, especialmente diante dos desafios relacionados à segurança hídrica e à diversificação das fontes de abastecimento.
Trajetória acadêmica e profissional
Economista, mestre e doutoranda em Engenharia Ambiental e Sanitária pela UERJ e especialista em Regulação do Saneamento e Relações Internacionais, Karina de Moura Costa Alencar atua como Assistente Especial da Presidência da CEDAE e Coordenadora da Câmara Técnica de Dessalinização e Reúso da ABES Nacional, conciliando sua atuação institucional com a produção acadêmica voltada aos desafios do setor de saneamento.
A premiação reconhece uma pesquisa orientada à aplicação prática do conhecimento científico, com potencial para apoiar decisões empresariais, ampliar oportunidades de aproveitamento da água de reúso e contribuir para a sustentabilidade econômico-financeira de projetos no setor.
A ASEAC parabeniza Karina pela premiação e por sua contribuição ao desenvolvimento e à aplicação do conhecimento técnico e científico no saneamento brasileiro.



